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quinta-feira, 4 de junho de 2009

PENSANDO À BOLINA, 5

Pedro Sinde


Experiências com animais
Imaginemos os dois, o leitor e eu, que em vez de serem os homens a fazer experiências com animais, eram os animais a fazer experiências com os homens. Imaginemos que uma espécie de animais resolvera caçar homens, reproduzi-los (reproduzir-nos!) para realizar experiências "científicas". Tudo isto, é claro, porque a sua espécie estava ameaçada por uma estranha doença e necessitavam de encontrar a cura. Não podemos dizer que seria por razões humanitárias, mas por razões animalitárias.

desenho de Albrecht Dürer

O que faria o homem quando reparasse que os seus estavam a desaparecer enigmaticamente e descobrisse que os animais os tinham enjaulado, que lhes davam injecções com líquidos que lhes causavam uma dor atroz, que lhes implantavam orelhas nas costas e braços na cabeça?

O animal é visto como uma "coisa" ao serviço do homem. E o que é curioso é que aqueles que fazem estas experiências atrozes com os animais são exactamente os mesmos que defendem que os homens são apenas animais entre animais, par inter pares. Se o homem é apenas um igual entre iguais com o animal, então que direito o assiste nesse infligir de sofrimento inimaginável, invisível, mas bem existente? Os horrores de um laboratório científico... uma câmara de tortura!

Não há dúvida de que falta à nossa ciência uma orientação metafísica. Acalento a esperança secreta de que, no fundo, no fundo, eles não sabem o que fazem; possa assim alguém perdoar-lhes.

texto originalmente publicado no blogue Maranos

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