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segunda-feira, 13 de julho de 2009

PENSANDO À BOLINA, 7

Pedro Sinde


Os esotéricos
Chama-se mentira ao acto de falar sobre aquilo que não sabemos. Visto desta perspectiva, o homem é naturalmente mentiroso e pouco mais é do que isso, porque, no fundo, nada sabe do mundo em que vive e passa todo o tempo numa tagarelice fantasista.
A mentira atinge a sua mais irónica perversão entre as pessoas ditas "espirituais", que gostam de "esoterismo". Falam de "corpos astrais", de "mundos paralelos", "reencarnação", "chakras" e organizam a sua vida em torno disso. Não deram ainda o primeiro passo na nobre doutrina da autognose e falam como se soubessem tudo, tudo explicando por um ou dois termos da moda: energia e vibração. Um e outro são utilizados num leque de acepções tão vasto que neles cabe qualquer coisa; e como neles cabe qualquer coisa, servem para explicar tudo.
Passam horas a meditar; mas que coisa é meditar? São incapazes do mínimo gesto de bondade, de olhar atentamente o outro e ver o que ele necessita; vivem fechados no seu umbigo, a que chamam, deleitados, o chakra do plexo solar, se não lhe derem um outro qualquer nome hindú ou chinês difícil de pronunciar.

António Carneiro, Crepúsculo

Agora mesmo o sol, pondo-se, chegou ao horizonte depois de ter estado escondido por uma longa faixa de nuvens. A luz laranja cantou subitamente o seu hino fulgurante, ígneo; quase é possível ouvi-la. Magnífico!

Deixemos, pois, esses astrais, quando temos aqui mesmo o astro. Deixemos as literatices e olhemos para o mundo magnífico em que estamos. Em vez de uma meditação, façamos uma oração e que ela não seja um pedido, mas apenas um agradecimento. Já temos tudo connosco, não precisamos de mais; pelo contrário, precisamos é de menos, porque o que temos a mais não nos deixa ver.
texto originalmente publicado no blogue Maranos

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