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Leia aqui a homenagem da Fundação António Quadros a António Telmo.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

PALAVRAS QUE FAZEM VER, 3










[Álvaro Ribeiro salazarista?]
1978. “Esta simples nota de direito constitucional, com suas teses e antíteses, tem por fim, termo ou meta a síntese de que, apesar das ficções jurídicas e burocráticas, que surgiram depois, só de 1910 a 1926 existiu República em Portugal. Decerto que teve ela muitos erros de estrutura, previstos e condenados por Teófilo Braga, mas abonados nas lições universitárias de Marnoco e Sousa; decerto que ela não cumpriu a promessa de reformar a educação pública pelo modelo francês do Sistema de Política Positivista; decerto que o seu partidismo ou partidarismo lhe causou desagregação tão grave, a ponto de um experimentado estadista, conhecedor profundo do significado técnico das palavras portuguesas, ter dito em pleno parlamento que o País já estava a saque. Sempre cobiçada pelos militares, e conquistada sem luta nem dificuldade a 28 de Maio de 1926, a República Portuguesa permaneceu de nome nas moedas e nos selos, mas as suas instituições deixaram de se constituir nos termos definidos pelos pensadores, escritores e artistas.”
Álvaro Ribeiro

(in "Pela República, Contra o Socialismo - Teses e Antíteses", Dispersos e Inéditos, III, INCM, 2005)


[Álvaro Ribeiro e a canonização de D. Nuno Álvares Pereira]
1978.
“Só a Deus pertence a virtude de saber quais os homens e as mulheres que verdadeiramente alcançaram a santidade, enquanto as nossas dúvidas podem permanecer por muitos séculos, como está acontecendo com as delongas no processo de canonização do Beato Nuno Álvares Pereira, já que só pode ser por nós designado santo aquele ou aquela a quem tal qualificação for atribuída pela Igreja Católica.”
Álvaro Ribeiro

(in "Feriados Nacionais", Dispersos e Inéditos, III, INCM, 2005)


[Álvaro Ribeiro perante o Concílio Vaticano II]
1981. “Só os estudiosos sinceros das ciências ocultas – melhor, das causas ou das qualidades ocultas –, se mostraram capazes de, por sanção ou por oração, relacionarem o espírito humano com o espírito divino. A arte de filosofar é, por conseguinte, uma actualização constante das provas da existência de Deus. A Igreja Católica, hoje mais perplexa do que ontem, ou talvez mais prudente, terá de aceitar, enfim, o messianismo de S. João Evangelista e de Joaquim de Floris, libertando a liturgia de praxes e de dogmas que representam rotinas pretéritas, já insignificantes ou talvez hipócritas.”
Álvaro Ribeiro

(in "Carta Prefacial", Dispersos e Inéditos, III, INCM, 2005)

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