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Leia aqui a homenagem da Fundação António Quadros a António Telmo.



quinta-feira, 30 de abril de 2009

SAUDAÇÃO A ANTÓNIO TELMO, 6

Testemunho…
João Tavares

Pede-me o amigo Pedro Martins que escreva um apontamento ou um testemunho que possa juntar-se a outros em singela homenagem ao nosso comum amigo, o filósofo António Telmo.
Não nos é fácil eleger aquele acontecimento que mais signifique o convívio de quase uma vida.
Parou-nos a mão no quase, presa que ficou pela justeza do termo empregue, logo se dando conta que se fixara na contagem dos anos, um alçapão que esconde, não poucas vezes, a soberba, como se, alguma vez, a contagem do tempo se pudesse constituir como válida razão e bastante…

O horóscopo ou a fortuna, ou lá seja o que for, que só Deus o saberá certamente, levaram um moço, que mal completara o seu primeiro «quartel de vida», açodado pelas revoadas abrilinas que lhe enchiam o peito, rumo ao filósofo. Aconteceu em Borba, localidade do Alentejo, onde, por então, eu leccionava numa sua escola e o pensador vivia com a sua família.
Do que se falou, resta-nos uma confusa impressão, mas lembramos bem a sua placidez quando, à despedida, lhe soltámos:
- Desculpe, ficará para a próxima uma melhor explicação! (faláramos de política, já se vê!...).
Não permitiram os fados, pois haviam disposto, por outra forma, que próxima não houvesse mais, mas respeitosa aproximação, coroada por amável dedicatória, tesoiro que guardo e memoro, que o autor de Arte Poética, generosamente, apôs neste livro que me ofereceu.
O que mais importará, será partilhar com quem possa vir a ler estas linhas, uma interrogação: jamais, em vez alguma, o ínclito filósofo haver dado aos problemas, mistérios, ou segredos, conversados, o mesmo encaminhamento, porém sempre versando e elevando o mesmo Ideal. Ousaríamos dizer que ao seu Convívio ocorre o que a uma fonte não pode deixar de ocorrer: sempre a mesma água nascente, porém sempre água nova!
Em mais de três décadas, nem por uma vez ouvimos de nenhum conviva, e tantos eles se já contam, que as conversas havidas (que nunca diversas são!), em algum momento ou em alguma circunstância, pudessem ser adivinhadas, tal a vida nova que por elas perpassa.
Do que se tratou, foi de ter sido oferecida a esse jovem a possibilidade de ouvir a sua fonte.
Bem-haja, António Telmo!

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