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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

EXTRAVAGÂNCIAS, 117


"Observando para lá de cá" por Margarida Cepêda, 2009

Cynthia Guimarães Taveira

Arcos e pontes das nossas idas
Desdobram-se nos rios densos e difíceis
Em veias expressivas
Marcam a nossa condição
De fronteiras intransponíveis

Arcadas, portais, portas
Em edifícios de pedra fria
Níveis de uma graça ou de um sonho
Construídos num só dia

Espaço marcado pela esfera
Que se ergue a metade do que somos
Quis Deus ver-nos em gomos
Em saudade, em rito de espera

Arcos, portais e dias
Erguidos em terras inesperadas
Dimensões em pedra gravadas
Demandas e etapas ultrapassadas

Escadas, arcadas e portas
Marcam a história da nossa alma
Arcos dentro de arcos
São os círculos das esferas visíveis
Erguidos pelo dom do arcano
Em que a outra metade
Vive e pensa noutro plano

Arcos, escadas, abóbodas
Rosáceas e vitrais
São o plano dos templos
Dos futuros irreais
Que deslizam e se erguem
No hemisfério que cada um guarda
Esse que é a outra metade
Da metade que nos ampara

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