(os textos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores)

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domingo, 13 de dezembro de 2009

CARTAS DO EDITOR, 1

Na semana que passou, concluiu-se, nos Cadernos de Filosofia Extravagante, a edição da série No Coração da Arte, de Cynthia Guimarães Taveira. Era um conjunto previamente definido de escritos, cuja publicação atingiu agora o seu termo. Cumprido o ciclo, o editor crê que, doravante, os leitores irão sentir, tanto como ele, a falta do hábito que esta rubrica, quase contemporânea da criação dos Cadernos, se tornou. Talvez por se tratar de um olhar privilegiado sobre o universo da criação artística, lançado por quem, no íntimo, lhe conhece os segredos, e sempre expresso pelo prisma de uma notável sensibilidade poética. Para o editor, fica ainda a perda do desafio permanente que a ilustração destes textos lhe colocava, pois temia que as suas escolhas – inúmeras pinturas e alguns desenhos – condicionassem de modo ilegítimo a interpretação do sentido inerente a cada artigo, ou simplesmente perturbassem a sua leitura. Esse perigo é real e constante – já por mais de uma vez lhe aconteceu ter de mudar uma imagem a pedido do autor do escrito que ela se destinava a ilustrar –, mas no caso vertente redobrava de intensidade, por logo se tratar de belas-artes. Daí que esta sua assunção de exclusiva responsabilidade, pecando talvez por tardia, se justifique plenamente. E serve também para que manifeste a sua perplexidade face à crítica infundada e hostil que um leitor de Montemor-O-Novo há não muito dirigiu à ilustração de algumas entradas mediante a reprodução de pinturas naturalistas da escola portuguesa. Haveria porventura outras razões – razões de ordem filosófica, reconhecíveis ao leitor atento de Álvaro Ribeiro, que uma publicação como esta sempre terá de ponderar – para se objectar a semelhantes escolhas. Mas nunca as do leitor. Como quer que fosse, retomando as boas razões, faltaria saber se Columbano e Malhoa sacrificaram sem piedade o valor da Beleza no altar da Realidade. Folheando a segunda série da revista A Águia, superiormente dirigida, no plano artístico, pelo simbolista António Carneiro, o editor depara, nas suas páginas, com várias reproduções de obras daqueles dois pintores. E, sem certezas, julga ter encontrado uma resposta.

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