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sexta-feira, 26 de junho de 2009

A DOR E O AMOR, 5

No centenário de Alexandre Herculano

Viver é amar, e amar é padecer. Deus é o infinito amor, infinitamente vencendo a infinita dor. Todos os grandes homens, sábios, santos, heróis, filósofos ou artistas, são expressões sagradas, religiosas. A mais alta é o santo, porque na suprema bondade está incluída a verdade suprema e a suprema beleza. Mas quer o sábio, quer o poeta, imortalizam-se como o santo, vivendo a vida instantânea, – da hora e do lugar, com alma de eternidade e de infinito. Não mexendo num grão de areia sem abalar o mundo, não arrancando uma folha de árvore, sem que o universo lhe venha preso.
É dessa família augusta o vulto nobre de Herculano. Encarnou esplendidamente a sua existência individual na existência da pátria, a ideia da pátria na ideia humana, e esta na ideia cósmica e divina. A máscara robusta e grave do historiador emerge duma penumbra ascética, dum fundo de luz e de mistério. As linhas duras idealizam-se, tocadas de sonho transcendente. Descobre-se o monge, o cavador, o soldado, o sábio, o profeta. Sente-se a visão magnífica do homem heróico e religioso. Osculemos todos a sua memória, para exaltar o nosso espírito e purificar os nossos lábios.
1910.
Guerra Junqueiro

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