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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

NOS 75 ANOS DE «MENSAGEM», 3


A obra de Fernando Pessoa vale não só por si, mas também por marcar um comportamento maçónico excepcional no seu tempo. Através dele, a Maçonaria regressa à sua origem ou, pelo menos, aparece como a legítima continuadora da Ordem do Templo. Significativamente, a Mensagem, o único livro seu combatido por uma vasta corrente de admiradores, é o que mais directamente exprime a doutrina templária. Deve observar-se, de passagem, que, tanto aqueles que o esquecem ou combatem por ser o elogio histórico da Pátria como aqueles que, vivendo formas vazias de patriotismo, o enaltecem e dele se aproveitam, estão precisamente no mesmo plano mental.
Pela Mensagem, Fernando Pessoa rectifica, à luz de princípios maçónicos recuperados, a história de Portugal. Das três partes que a constituem, a do meio tem como legenda epigráfica a frase latina Possessio Maris, versão de Possessio Orbis, palavra de passe do grau de Mestre. É esta a tradução latina do hebreu Tubalcain, palavra sobre a qual o já referido autor anónimo escreve: “Pretende-se que este nome tenha sido escolhido para palavra de passe porque, segundo a Escritura, Tubalcain foi o primeiro homem a forjar metais. Todavia, se reflectirmos sobre a significação das duas palavras hebraicas que o compõem, reconhecer-se-á aí o voto secreto do Hierofante, do Templário, do Franco-Maçon, do misterioso adepto, de governar o mundo pelos seus princípios e até pelas suas leis, voto que encontra expresso ainda com maior clareza nos graus superiores”.
Ora não oferece qualquer dificuldade verificar que toda a Mensagem se centra na ideia basilar do Quinto Império, tal como se espelha no Brasão, nos Descobrimentos, e, por fim, nos sonhos dos profetas. A rectificação de Fernando Pessoa consiste, fundamentalmente, em repor essa ideia nas suas determinações primitivas, que referem toda a acção histórica ou transcendente à demanda do centro invisível do Mundo, sem a qual o Quinto Império não será mais do que uma miragem.

António Telmo, in Horóscopo de Portugal, Guimarães Editores, 1997.

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