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Leia aqui a homenagem da Fundação António Quadros a António Telmo.



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A MINHA CARTILHA, 4

XXV
Deus existe como Supremo Bem ou Jesus e como o espectro do Mal ou Lúcifer; tão eloquente naquele grito de Paulo: Ai, de mim, que não faço o bem que quero, e faço o mal que não quero!
Mas como Jesus é que Deus nos interessa religiosamente. Como Lúcifer é de um interesse filosófico ou profano: Deus está na Bíblia ou no verbo de Isaías; o Lúcifer está no estilo de Darwin ou na Origem das Espécies.
Adamificar o antropóide, eis toda a actividade Cristã. A sombra de Darwin antecede a de Moisés, não no tempo dos relógios ou aparente, mas conforme o tempo real, em que o passado e o futuro não têm qualquer sentido. É nesse tempo supra-cronológico a sugerir-nos a ideia de eternidade, que vive a mesma alma que nos criou, e é a mãe da nossa alma racional. A primeira é imortal, e, em nosso ser, uma parte integrante do Criador; a segunda é mortal e originada por aquela, e parte integrante da Criatura: uma espécie de síntese electiva dos sentidos, que sabe aproveitar ou subordinar aos seus interesses, muito cientificamente, as forças naturais, na sua mais próxima actividade. Conhecer essa actividade, é tudo para um cientista, não para um sábio, é claro, a ponto dos cientistas pretenderem que a existência está restringida a essa actividade; e, para além dela, nada existe, ou, só existe a fantasia louca dos poetas.
O Cosmos está dentro de um compêndio de Física, como Deus de um tratado de Teologia…
Teixeira de Pascoaes

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