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Leia aqui a homenagem da Fundação António Quadros a António Telmo.



terça-feira, 28 de abril de 2009

SAUDAÇÃO A ANTÓNIO TELMO, 3

O caçador
Cynthia Guimarães Taveira

“Formosas são algumas e outras feias,
Segundo a qualidade for das chagas,
Que o veneno espalhado pelas veias
Curam-nos às vezes ásperas triagas.
Alguns ficam ligados em cadeias
Por palavras subtis de sábios magos.
Isto acontece às vezes quando as setas
Acertam de levar ervas secretas”

(Canto IX, 32 e 33)
Camões


Parecia ter desaparecido nas brumas da modernidade e ei-lo o Homem Novo, primitivo, perto da origem, pronto e pleno.

“Não há aqui qualquer pretensão de originalidade, a não ser que por origem se entenda aquela fonte onde todos bebemos, aquela ideia sem a qual nem sequer podíamos saber que há pensamento.”[i]

Imaginemos o cenário em que o encontramos. O cenário, não é cenário, mas todo o real.

“Mas o que é o desconhecido?
É logo de início o próprio mundo sensível e daí o enigma primogénio da sensação. Eis o que habita em nós. Não há pontos firmes e toda a dificuldade está em movermo-nos onde não há lugar.”
[ii]

E esse real é uma floresta. Uma floresta misteriosa.

Só há mistério enquanto se vê.”[iii]

Esse homem primitivo caça.

“Aristóteles comparou a filosofia à caça e, com efeito, a ave que se solta livre no espaço está para os olhos do atirador como a ideia está para o pensamento do filósofo que a transmutará em conceito.”[iv]

Podemos ouvir as folhas a serem pisadas enquanto passa e a fortaleza dos seus músculos batendo na terra em resposta ao seu pulsar.

“As touradas, meu caro amigo, foram feitas não para dominar os touros, porque então seria melhor e mais fácil matá-los a tiro, mas calcule você!, para dominar os tremores de terra.”[v] (...)

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