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domingo, 15 de janeiro de 2012

LEITURAS DE EDUARDO AROSO, 2

















Na foto:
o sorriso inconfundível do Anjo na Catedral de Amiens

NOTÍCIAS PÚBLICAS VERSUS CONHECIMENTO (GNOSE) *

Eduardo Aroso

A propósito da natureza de certas notícias públicas recentes e que, como é evidente, baralham a cabeça do público quanto ao seu significado (pois não são matéria de mercados, de futebol ou de coisas mais ou menos pragmáticas e sempre flutuantes), releio o livro «Para a história da MAÇONARIA em Portugal - alguns subsídios recolhidos por António Carlos Carvalho», editado pela Vega, em 1976. Comprei-o, por acaso, logo depois de ter aparecido e depois não o li por acaso. Como toda a gente sabe, dentro de uma mesma temática, é quase infinita a natureza do que se pode escrever e publicar, às vezes tão diferente como o dia da noite. Não faria mal que todos os que se interessam pelo tema (re) ler o citado livro, bem como os que não têm ideia suficiente do que ele seja. Poderiam todos beneficiar em esclarecimentos essenciais, pelo menos em alguns capítulos do livro, para depois aceitar ou rejeitar. É que, como em todos os assuntos da vida, saber de onde vimos dá mais garantia de saber onde (e como) estamos e, com base no caminho feito, especular com alguma margem de verdade para onde as coisas poderão ir - no perigo ou na salvação. Mas são as palavras de António Carlos Carvalho, e não as minhas, que aqui quero citar:
«Maçonaria «versus» Igreja – combate sem vencedores», página 183. A razão principal do choque e até da hostilidade feroz existente entre a Maçonaria, na sua generalidade (e no continente europeu), e a Igreja Católica, desde há alguns séculos, reside num equívoco mútuo, no erro cometido por ambas – o comprometimento com os assuntos do reino de César.
Ora a missão de cada uma deveria dizer respeito, pelo contrário, respectivamente, à criação do reino de Deus na Terra e à conclusão do plano do Grande Arquitecto do Universo. Desviando os seus interesses e preocupações para os assuntos puramente terrenos e temporais, desejando a todo o custo recolher nos seus rebanhos respectivos apenas o homem exterior, tanto a Igreja como a Maçonaria teriam fatalmente de se envolver em discórdias e em ataques mútuos, frutos somente de má compreensão do que deveriam ser as respectivas missões neste mundo.
Sabemos que a Maçonaria, enquanto foi organização iniciática de mester, teve o seu destino intimamente ligado à vida da Igreja – a Igreja medieval latina compreendia, ou tinha recolhido sob o seu tecto protector, organizações de carácter esotérico e de forma iniciática, sacerdotal, cavaleiresca e artesanal, como as dos maçons ou pedreiros-construtores».


* «Gnose» pode não ser, neste caso, o termo mais correcto. No entanto, a sua intenção é livrar a palavra «conhecimento» do sentido vulgar e exterior.

14-1-2012

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