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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

EXTRAVAGÂNCIAS, 45

Extravagância ou oferta do espírito
em Dia de Reis
Eduardo Aroso

Sob o nosso signo Filosofia Extravagante, ao qual já chamei Filosofia Extravasante, fui-me interrogando ao longo do ano, há dias findo, lentamente como o movimento de translação da Terra, também seguro de que haveria de passar nos equinócios e solstícios… Na nossa vida consciente há momentos em que também cruzamos esses pontos, pequenas flores que vamos cultivando no meio de uma imensa seiva cósmica que mal entendemos ainda. Vem isto também a propósito da resposta – aqui registada no essencial - que dei a um amigo que estranhou o título Extravagante num blogue de pensadores, filósofos, artistas e outras pessoas de «suposto equilíbrio do ser», tais as palavras com que me interpelava o amigo.

Adoração dos Magos, do Retábulo da Sé de Viseu: clique na imagem para a ampliar
A extravagância do pensamento e do espírito - afinal o que aqui existe - nunca é de mais. Bem pelo contrário. Seria como se afirmássemos que o amor é demasiado! O sentido de extravagante comunga perfeitamente com a natureza daqueloutro revelado pelo e no Espírito Santo, expresso na palavra abundância. Assim, estes dois termos, carregados do suco que apenas existe dentro, e por isso não se vê na montra, junto à etiqueta, estão bem longe do sentido economicista e mundano, que deste modo soariam mal em qualquer mercado, e decerto provocadores de injustiças sociais. Todavia, no plano do pensamento e na elevação do espírito, extravagância e abundância (num Portugal seco e mirrado pelo materialismo e ideias importadas em caixinhas para vender ou oferecer, conforme o caso) são as águas benditas que ainda vão orvalhando aqui e acolá, para quem, bem entendido, queira pôr os pés na água! São (por vezes) altas labaredas de esperança; o furor de almas inquietas na busca da luz e na procura de modos de pensar para melhor educar, para melhor agir e viver. Bondade, generosidade e verdade abundantes e extravagantes que, sem licença camarária, possam irradiar nos espaços públicos e nos quintais dos vizinhos, com a receptividade destes. Do pensamento queremos verdade, o mel.

De abelhas sabendo que é na sua colmeia - a que podemos também chamar pátria e nação – que começa o labor e o amor, consciente de que há congéneres suas que, querendo fabricar mel em todas (!) as colmeias do planeta, não chegam, obviamente, a fazer nenhum, “fugitivos universais” que não conhecem sequer um chão relativo (seja mesmo a “ tenda” de que falava S. Paulo) onde os pés catapultem a alma para uma séria meditação/reflexão.

Seja assim o possível mel de colmeias do real e do ideal, extravasando e enxameando o universal. Seja então este presente a dar aos homens e mulheres de boa vontade. Que o ano de 2010 seja extravagante nos «ofícios de Minerva» e abundante no sopro do Espírito Santo.

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