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terça-feira, 2 de junho de 2009

NO CORAÇÃO DA ARTE, 6

Cynthia Guimarães Taveira




A Beleza
Para os leitores talvez haja, por vezes, o desejo inconsciente de, ao entrarem numa livraria, encontrarem O Livro. O Único, Aquele Especial. O que tem o Todo. O que condensa as forças, as palavras, as orações, o alto, o baixo e o mais ou menos. O Livro de todas as coisas, de todos os seres e histórias terrestres e divinas. A verdade, em suma. Um leitor assim sabe que nunca o encontrará. Sabe que, por vezes, sonha com ele, mas, mesmo em sonhos, nunca o chega a conhecer verdadeiramente. Talvez uma página ou duas. Ou apenas a capa ou a contracapa. Sempre demasiado à superfície. Para o pintor existem belas musas envolvendo cada quadro: olhos verdes, azuis e negros, peles leitosas, pálidas e morenas, sedas pesadas leves e veludos sentidos com um simples olhar. Todas elas são belas mas, por detrás delas, está a ideia residindo no Ideal. A Ideia de Belo na arte muda pelos tempos e pelas gentes, mas, para um pintor, ela é a constante, inalcançável, preexistente, platónica e esquiva. Esquiva-se porque se dilui na multiplicidade do mundo como os temperos se diluem nos manjares. Etéreos e inesquecíveis e provocando o desejo de novos sabores sem que nenhum seja O Sabor. Um pintor não tem a Ideia de arte, tem a Ideia de Belo, um pintor não se senta num qualquer lugar na linha temporal da História da Arte e aí permanece alheio ao Belo. Isso seria a sua negação.

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