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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

AFORISMOS, 16

Eduardo Aroso


Natal Português
76 – O Menino (Desejado) nasce na noite mais escura, a noite encoberta ou do Encoberto. Os pastores anunciaram o nascimento; os navegadores portugueses anunciaram a Idade Moderna.
77 – Os três Magos procuraram a Estrela; o pensamento português gosta de seguir a Estrela que diariamente se apaga no Ocidente, deixando-nos a esperança de nascer de novo.
78 – O Menino nasceu no seio da pobreza, palavra que deve ler-se pureza. Os actuais Herodes do luxo e do riquismo odeiam o verdadeiro (re) nascer. Logo que se começam a formar as cartilagens e carnes tenras da Verdade de um qualquer assunto, eles mandam matar todos esses os meninos…
Que seiva alimenta hoje a árvore de Natal electrificada, erguida como uma torre de solidão e de sombras sobre um chão feito com base em percentagens de lucro por centímetro quadrado?
79 – Uma das celebrações mais universais é o Natal. Porém, cada povo gosta de decorar a gruta à sua maneira; de sentir o bafo do que lhe está próximo; de escolher o ágape festivo sob a toalha apetecida na noite em que a Luz do mundo toca os pequenos luzeiros, em cada casa, iluminando de esperança mais um ano.
80 – Entre o verso da Ilíada «Terríveis são os deuses quando nos aparecem às claras» e a misteriosa naturalidade e simplicidade com que um ser divino se mostra como Homem, nascendo entre nós, estende-se a multiplicidade do mundo que, de tempos a tempos, se interroga mais alto, ora para constatar o poder (aparente) das trevas, seja para discernir , através de uns poucos, que o excesso de luz cega o que a não pode fitar. Por isso, em algum grau, há analogia do Encoberto português e a verdadeira natureza do Menino ou Cristo-Jesus.

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