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terça-feira, 18 de maio de 2010

AFORISMOS, 33

Eduardo Aroso

129 – A solidão é um fantasma que o materialismo criou. O ser humano deve recuperar plenamente a memória de ser filho de Deus. Ao adquirir essa graça, não necessita de nenhum exorcismo, reavendo então a canção da alegria que dispensa a palavra brejeira, a ideia baixa, a cena indecente.
130 – O filho que já não cresce no seio da família, porque a lei verifica incapacidade para tão nobre tarefa; o fruto que, ainda verde, se arranca da árvore para “amadurecer” no frio do armazém; a educação e a formação cada vez mais longe do professor/mestre e da sua aceitação, mas no sufoco de tudo e de todos. Tudo isto nos faz pensar no que ainda persiste, reclamando-se das garantias dos chamados Estados de Direito das sociedades ocidentais.
131 – A controversa afirmação pessoana «Troquemos Fátima por Trancoso» pode não ser entendida como um desabafo anticlerical, mas porventura na intenção de tocar num ponto essencial ou aquilo que pode caber na designação de Igreja Lusitana. Também, trocar, respectivamente, o feminino pelo masculino, parece não ter o alcance da frase supracitada. Ousemos pensar que, considerando a lei das alternâncias (dia/noite é um simples exemplo), torna-se imperioso dar voz ao sentido do que é cíclico. Tal como Maria (não a Mãe do Senhor, mas a irmã de Lázaro) e Marta, ou Abel e Caim (apesar do simbolismo do incidente, mal interpretado pelas massas) a Igreja de Pedro e a Igreja de João não se combatem. Como queria Pessoa, voltar-se para Trancoso poderá significar dar mais atenção à Igreja de João ou dos Templários, a essa enigmática pedra-angular que S. Bernardo colocou na nação mais ocidental da Europa. Assim se ilumina toda a longa sinapse histórica que vai do «Milagre de Ourique» ao verso da Mensagem «Senhor, falta cumprir-se Portugal!».

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