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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

AFORISMOS, 20

Eduardo Aroso

90 – No número 1 das Edições Serra d’Ossa, intitulado «O Canto dos Seres», de Pedro Sinde, lemos que «Os seus planos [do autor] para o futuro são: aprender a viver ao Deus dará, sabendo que muitas vezes Deus dá tirando». Quando pela primeira vez li este escrito, desfez-se-me um certo nevoeiro e pude entender que também Deus dará – na Hora – a Portugal o que, muitas vezes, lhe tem tirado, ou, quem sabe, guardado. Por isso, muito melhor do que ser governado pelos que se deveriam dar (sacrificar) pela sua pátria, e não o fazem, bom seria na verdade que Portugal ficasse ao Deus dará!
91 – Se quiséssemos, geometricamente, traduzir o sentido de Portugal, diríamos que é uma diagonal; uma divinal diagonal, acrescente-se. Na realidade do mundo físico, no qual vivemos, a pura vertical poder-nos-ia afastar das legítimas responsabilidades para com os nossos semelhantes num misticismo ilusório; no exclusivo da horizontal seria fácil ir resvalando para uma antropologia que facilmente seria uma espécie de “zoologia superior”. Portanto, a primeira daria a incompleta experiência religiosa sem sair do lugar (como se alguém pudesse viver sempre em casa) e a segunda apenas um vaguear sem rumo, guiando-se por estacas no caminho e não pelas estrelas do céu. A diagonal engloba os dois movimentos, sendo ela um terceiro. Ora, toda a vida história de Portugal, pelas razões que sabemos, é uma divina diagonal que une a experiência pelo mundo de pioneirismo científico e civilizacional da Idade Moderna, com um modo peculiar de ecumenismo religioso. Na esfera da filosofia, o pantiteísmo de Cunha Seixas constitui, nesta imagem, uma das mais interessantes diagonais do nosso pensar. [na imagem: Cunha Seixas]
92 – Ao voo aquilino e solar da mais alta e sublime palavra poética, tocada pela brisa atlântica, corresponde uma cripto gnose histórica, qual guardião do umbral, protegendo a entrada para o segredo da existência Portugal, a que ilusoriamente se tem dado um sentido vazio à primeira palavra da expressão «Ouro dos Templários».

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