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quarta-feira, 1 de abril de 2009

ABDEL HAYY, IPSIS VERBIS


Não há outra forma de conhecer Portugal a não ser partindo dos sinais a que temos acesso. Desde o Romantismo que se procura estudar o Portugal popular, os costumes do povo. Esta tendência chegou aos dias de hoje e tem feito esquecer o estudo das elites do nosso pensamento. De um modo despretensioso, tenho procurado aqui apenas lembrar algumas personalidades que, muitas vezes de um modo discreto, deixaram, no entanto, marcas profundas. É esse o caso dos mestres de Ibn 'Arabî já referidos em entradas anteriores. Há outras personalidades, como Abravanel, que tiveram uma importância social imensa, desde logo pelas funções que desempenharam. Não é possível, num blogue, ir mais longe do que apenas indicar, sugerir, lembrar. Nos tempos de hoje, já não é pouco.

Outro aspecto fundamental para se conhecer o Portugal misterioso e único em que vivemos é o conhecimento das religiões tal como elas aqui se plasmaram. Não me refiro tanto a estudos como os de Leite Vasconcelos que, sendo muito importantes, já não nos dão a perspectiva vivente que necessitamos para realmente procurarmos quem somos naquilo que fomos.
Estou convencido que mais importante é o estudo das tradições a que no Islamismo se chamam do Livro. É claro que há outros livros sagrados, mas Deus diz no Corão que só revelou a Maomé alguns dos profetas; os outros livros sagrados não dizem respeito à nossa tradição que vem de Abraão / Ibraim. É por isso que se pode entre nós dizer "o Livro", por antonomásia: esse livro é aquele que vem a ser escrito desde a Tora, os Salmos, os Evangelhos (ou o próprio Cristo, o logos) e o Corão.
Parece que os portugueses andam adormecidos e uma das principais razões parece ser a falta de memória; a outra é o preconceito; o contrário do que foram nos seus melhores dias... Se soubessem a responsabilidade que têm no mundo, tudo mudaria.

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