[Manuel]António Telmo
Manuel meu filho
Em Sesimbra nascido
António meu Pai
Em Sesimbra sepultado.
Entre um e outro
O mundo percorrido e nada encontrado.
Leia aqui a homenagem da Fundação António Quadros a António Telmo.
Agostinho da Silva*

Tradição. A não perder, no Sabedoria Perene: a reportagem da sessão da passada quinta-feira, na Associação Agostinho da Silva, com a presença do pensador brasileiro Mateus Soares de Azevedo, que, conforme foi anunciado, ali proferiu duas palestras. Os Cadernos de Filosofia Extravagante agradecem as palavras de extrema simpatia do Miguel Conceição, desejando-lhe (e ao Nuno Almeida) as maiores felicidades para o novo projecto, agora anunciado: uma revista não-periódica de publicação online, a qual visa divulgar alguns dos principais textos publicados no blogue, bem como estabelecer uma plataforma para a publicação de textos de autores de expressão portuguesa dedicados ao estudo da Tradição e da Sophia Perennis.
Regresso. O do ciclo de simpósios sobre os 12 Teoremas do 57 – Actualidade dos teoremas do Movimento de Cultura Portuguesa, a decorrer, ao longo de 2009, na Livraria Fonte de Letras, em Montemor-O-Novo, junto à Câmara Municipal. O segundo é já no próximo dia 16, sábado, com início às 16:30, e em conjunto com a apresentação de Universalidades, primeiro número dos Cadernos de Filosofia Extravagante.
Testemunho…
O Génio da Língua Portuguesa
[Poesia e Filosofia: Poesia Filosófica e Filosofia Poética]
“(…) Portugal, no tempo de Camões, vinha de iniciar um longo ciclo tenebroso de quatrocentos anos, de quarenta decénios ou de quatro séculos. Dir-se-á (…) que as legiões de Ahriman passaram a reger definitivamente os nossos destinos. «Uma austera, apagada e vil tristeza» enublou a alegria auroral da Ilha e quando, passados esses quatrocentos anos de deserto da alma, se começou de novo a ouvir a «angélica soada» dos poetas ou o severo dizer dos filósofos, quando vários «movimentos» espirituais de inequívoco sinal disseram ter chegado a hora da transfiguração logo movimentos contrários se formaram, aos quais uma longa, astuciosa e ardilosa campanha tinha dado todos os recursos e todas as armas para se imporem na opinião pública e deixarem na sombra a misteriosa jasminácea do pensamento português.
Duas figuras dominaram, durante meio século, o círculo das acções e reacções mentais dos portugueses: António Salazar e António Sérgio. Ambos têm de comum um critério cheio de severidade para com todas as formas de imaginação que se apresentam, nos poetas e nos prosadores, com a finalidade secreta ou patente de dizerem o mistério. A imaginação é, no pensamento de um e de outro, uma diversão da mente humana, que deve ser contida nos seus limites, onde deverá manter-se sem qualquer pretensão gnósica. É à própria imaginação, dada como a forma do irracional, que é atribuída, num a desordem política, no outro a desordem mental que caracterizam a vida portuguesa. Ordem e progresso ou ordem e clareza eis o ideal proposto por estes dois mestres das gerações actuais. António Salazar, numa entrevista, mandou Leonardo Coimbra deixar-se de filosofias e dedicar-se a escrever versos; António Sérgio, disse a Teixeira de Pascoaes que continuasse a escrever versos, mas não se metesse com a filosofia. Para que ficasse tudo na mesma, foi sob a égide de António Sérgio que se fez a revolução contra Salazar.
(…)
A esta separação ou cisão da poesia e da filosofia há que chamar aqui (…) o fender-se da Ilha ou o quebrar da ponte Chinvat. Não significa isso que queiramos propor uma poesia filosófica, mas temos de dizer uma filosofia poética. Um dos poucos exemplos de poesia filosófica é a de Antero de Quental, aliás o poeta mais caro a António Sérgio. Em Antero de Quental, a imagem não é vivência ou símbolo, mas alegoria. O exemplo mais alto da filosofia poética é o de Leonardo Coimbra, aliás o pensador mais odiado por Sérgio e por Salazar. Nele, a ideia é a flor enorme que abre na floresta esplendorosa da imaginação; a ideia é vivência da qual nenhuma imagem pode ser alegoria.
A negação do mundo intermediário, da sua realidade, existência e objectividade, pela sua conexão com a fantasia, a mística, a intuição e o irracional, teria como consequência, a tornar-se completamente vitoriosa, a ruína da poesia e da filosofia e a suspensão do movimento essencial da alma que aspira à verdade. Esse mundo, porém, causa pavor e alguns se negam, por fé débil, a tomá-lo a sério.
Confundida a imaginação activa com a dispersiva fantasia, contra a poesia e a filosofia dos «imaginativos» levantam os adversários da gnose a exigência de um pensamento prático, «de pés fincados na terra». A teorização desta exigência atrai e solicita os estratos profundos deste povo da experiência, que atravessou os mares, edificou cidades e civilizações e «compassou» o universo. Há, porém, que não confundir a experiência, forma de conhecimento no perigo, com a preocupação de governar bem a casa, de fincar os pés na terra para nela ficar preso. A experiência do nómada do espírito não é a experiência do sendentário.”
António Telmo
(excertos retirados de Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões, Guimarães, 1982)
Aniversário. António Telmo, mentor dos Cadernos de Filosofia Extravagante, festeja no próximo sábado, 2 de Maio, 82 anos de vida, efeméride que, a partir de amanhã e até ao dia do aniversário, aqui iremos celebrar, com a publicação de uma série de depoimentos, testemunhos e breves ensaios assinados pelos seus amigos. Paralelamente, será lançada uma nova rubrica, Razão Poética, na qual se darão a conhecer excertos fundamentais das suas obras. No dia 2, será também publicado um notável escrito autobiográfico da sua autoria, ainda inédito, e que, durante a próxima semana, virá a lume no jornal O Sesimbrense.
Brasil. Está assente. Na próxima quinta-feira, 30 de Abril, pelas 19:00, na Associação Agostinho da Silva, em Lisboa, o escritor Mateus Soares de Azevedo apresenta o seu mais recente livro, Homens de um livro só, bem como a recente tradução para a língua portuguesa do livro de Frithjof Schuon, A Transfiguração do Homem. A organização é do blogue Sabedoria Perene, da autoria de Miguel Conceição e Nuno Almeida, e tem o apoio da AAS, que gentilmente cede o espaço. O pensador brasileiro irá ainda proferir duas breves palestras. Na primeira, intitulada “Esoterismo e Exoterismo no Sermão da Montanha”, apresentará uma interpretação “perenialista” de um dos textos mais importantes da tradição cristã. A segunda prelecção tem, de alguma forma, um carácter mais político-religioso e centra-se na tentativa de resposta à questão "Estará esgotado o papel histórico dos Estados Unidos da América?”. Mateus Soares de Azevedo enquadra a resposta no cenário internacional actual e com a função do fundamentalismo islâmico e do sionismo. Mais informação e mapa...

AO TRISTE ESTADO
(clique sobre o nome dos autores para saber mais)
Alexandre Teixeira Mendes: Poética (e configurações) marrana(s)
António Carlos Carvalho: A noz
António Telmo: A identidade religiosa de Luís de Camões; Carta a Pedro Martins
Avelino de Sousa: Neve (sonho); Um galo a Asclépio; Livre interpretação do mito de Teseu e o Minotauro
Cynthia Guimarães Taveira: Coincidências
Elísio Gala: Repensar o problema da filosofia portuguesa
Isabel Xavier: Dois poemas
Luís Paixão: Os templos do pensamento português
Maria do Resgate Almadanim: Carta ao professor
Paulo Júlio Guerreiro dos Santos: Páginas de autobiografia espiritual
Pedro Martins: Uma heresia de Pascoaes
Pedro Paquim Ribeiro, sob o pseudónimo de Fuas Paquim: Para o preâmbulo de um estauto senatorial
Pedro Sinde: Harmonia abraâmica: o triplo anel ou a herança de Portugal
Rodrigo Sobral Cunha: Sê, para que tudo seja (o som abstracto)
O desenho da capa é da autoria de Carlos Aurélio.
O interior dos Cadernos tem ilustrações de Cynthia Guimarães Taveira e fotografia de Tiago Sobral Cunha.
Os Cadernos estão à venda nos seguintes locais:
CALDAS DA RAINHA
Livraria 107
LISBOA
Associação Agostinho da Silva; Galeria Matos Ferreira
MONTEMOR-O-NOVO
Livraria Fonte de Letras
PORTO
Clube Literário do Porto
SETÚBAL
Prima Folia; Livraria Culsete; Livraria Universo
O p.v.p. é de 10 euros.
Pedidos para: serradossa@aeiou.pt