Inquietude. No próximo sábado, entre Sesimbra e Setúbal.
[actualizado o blogue da Serra d’Ossa]
Leia aqui a homenagem da Fundação António Quadros a António Telmo.
HARMONIA ABRAÂMICA: O TRIPLO ANEL OU A HERANÇA DE PORTUGAL
(...)
3. O legado de Álvaro Ribeiro
Hermenêutica. Foi o que Pedro Martins procurou fazer ao Jesus Cristo em Lisboa, tragicomédia em sete quadros que Teixeira de Pascoaes escreveu em parceria com Raul Brandão, e que veio a lume no início de 1928. O resultado será, porventura, surpreendente: por detrás da aparente ortodoxia da peça, emerge uma cristo-angelogia que evoca a heresia de Prisciliano e o judeo-cristianismo dos três primeiros séculos da nossa era, que foi o da primitiva Igreja de Jerusalém, reunida em torno de Tiago, o Justo, e também o do ebionismo. Deixa-se ao leitor o começo do artigo.
Pedro Martins nasceu em Lisboa, em 22 de Janeiro de 1971, dia de São Vicente. Vive actualmente em Sesimbra, na Cotovia. Frequenta a tertúlia de António Telmo, em Estremoz.
Alexandre Teixeira Mendes
Universalidades.
É o título dado ao primeiro dos Cadernos de Filosofia Extravagante, e está bem visível na capa desta nova publicação, não-periódica, da Serra d'Ossa Edições. Reflecte, com notável acuidade, o denominador comum às diversas propostas que aguardam os leitores. O desenho da capa é da autoria do pintor e filósofo Carlos Aurélio.____________
Apresentação
No Verão que passou, recebi a visita inesperada de um amigo distante, há muito ausente de Sesimbra. Entre nós, poucos serão hoje os que ainda se recordam do porte distinto que Adolpho Rubens Cairo invariavelmente conferia à sua figura, sempre que, em manhãs solares cheias de gritas e gaivotas, percorria num afã peripatético o passadiço que outrora enleou o Macorrilho e o Alcatraz. Absorto do alarido próximo, Rubens Cairo colhia na aragem corrente o ânimo circunspecto com que, na companhia de algum confrade, discreteava sobre a Monadologia de Leibniz ou qualquer outro livro de jaez maravilhoso. E, no entanto, este homem austero, que, há cerca de doze anos, me foi apresentado num museu de Lisboa, é de seu ofício um fascinante pintor de arte, não tendo nunca, segundo se sabe, vertido em letra de forma, ao longo de uma vida já entrada, a mais insignificante cogitação. (...) ler mais *versão, ligeiramente diferente, da crónica divulgada na entrada anterior.
Há uma semana, o meu computador começou a enviar-me mensagens aflitivas: está a ficar com pouca memória. Não pude deixar de sorrir – um sorriso de vitória. Também tu... Sempre me queixei de falta de memória, minha, ao longo da vida (esqueço-me facilmente de nomes de pessoas e de títulos de obras, tenho dificuldade em decorar textos, etc.) e agora queixo-me da falta de memória dos meus contemporâneos, sobretudo de alguns mais novos do que eu e que julgam que o mundo começou com eles e que já nasceram a saber tudo.Acho em tuas mãos plenas de Verdade
A causa da existência do meu Corpo
E sinto em minha pele o mesmo Sopro
Com que criou Deus a Humanidade.
Dentro do que sou existe o Mar
Existe a Terra, o Céu e as Estrelas
Existe até muito mais do que elas:
As Palavras que acendem o Luar.
Teus dedos de Espuma e de Saudade
Percorrem Ondas profundas do meu Ser
E o Mar que eu sou, em ti, consegue erguer
A Voz calada dos sons da Eternidade.Isabel Xavier



UM GALO A ASCLÉPIO
Conforme narra seu discípulo Platão, antes de morrer Sócrates entrou num banho para se purificar. Recebeu, depois, seus filhos e as mulheres da sua parentela, a quem deu os últimos conselhos.
Ainda proferiu um louvor a um servo que lhe veio anunciar o fim, após o que disse: «Tragam o veneno ou o preparem», sem se importar de ainda não serem as horas prescritas e do sol não se ter já escondido para lá das últimas montanhas. Assim pensava: “O que chegou ao seu termo não adianta adiar”.
Um outro servo lhe depositou o copo de cicuta em sua mão. Presume-se que tenha endereçado uma última prece aos deuses, após o que levou o copo aos lábios e o esvaziou de um só trago. Ante o choro dos companheiros, nessa hora funesta da partida, num último assomo de coragem lhes pediu para que dominassem as emoções.
O efeito do veneno cedo se fez sentir, começando por anestesiar os pés e subindo daí pelo corpo acima. Estava deitado e com a face coberta. Mas antes que o último sopro de vida se ausentasse do seu coração, descobriu-a e disse estas derradeiras e imemoriais palavras:
«Ó Críton, nós devemos um galo a Asclépio.
Satisfaz esta dívida e não te descuides!».
Há uma alteração ao programa do simpósio inaugural, que, como os restantes, é promovido pelos Cadernos de Filosofia Extravagante. Assim, e diversamente do que fora anunciado, será Isabel Xavier, e não Pedro Sinde, a apresentar o teorema relativo à poesia. No mais, tudo se mantém igual: António Telmo apresentará o teorema relativo ao romance; e Elísio Gala fará o mesmo quanto ao teorema relativo à antropologia.
REPENSAR O PROBLEMA DA FILOSOFIA PORTUGUESA
(Álvaro Ribeiro, José Marinho e o Padre Manuel Antunes)
O título escolhido para encabeçar esta reflexão decorre de uma constatação e de uma associação. Começando por esta última, quais os elementos explícitos ou implícitos desta associação? Explícitos são os títulos da obra de ensaios “de reflexão e de prospecção” denominada Repensar Portugal da autoria do Padre Manuel Antunes e da obra de “natureza programática e didáctica” de Álvaro Ribeiro intitulada O Problema da Filosofia Portuguesa. Implícitos, são os artigos do Padre Manuel Antunes «Haverá Filosofias Nacionais?», «Da situação da Filosofia», «Filosofia da Cultura: sua necessidade»; de Álvaro Ribeiro «A Filosofia Portuguesa não é como a de outros povos na Europa moderna e obriga-nos a difíceis e demoradas investigações históricas», «O problema da Filosofia Portuguesa perdeu já a actualidade»; e de José Marinho «Filosofia Portuguesa e Universalidade da Filosofia». Eis o horizonte de textos e reflexões que nos suscitaram o título.
A constatação que inspirou a titular deste modo esta reflexão foi a repetida insistência por alguns publicistas e literatos, de uma frase do Padre Manuel Antunes que responde, segundo eles, de modo conclusivo ao problema da existência ou não de filosofias nacionais. A resposta resume-se na seguinte frase retirada do artigo «Haverá Filosofias Nacionais?»: “se é nacional não é filosofia e se é filosofia não é nacional.” O alvo das suas críticas é sempre Álvaro Ribeiro, tão pouco lido e meditado quão injustamente tratado. Ora, quanto a nós, o problema formulado pelo Padre Manuel Antunes tem mais o carácter de uma interrogação, do que o de uma pergunta. Para as perguntas há respostas, o que já não sucede com as interrogações. Embalados e adormecidos na resposta esquecemo-nos da interrogação. O pensado é substituído pelo achado. “Acho” que não há filosofia portuguesa, eis o que exprimem as afirmações de tais publicistas e literatos, que em boa verdade há muito deixaram, ou mesmo nunca pararam, para “pensar” se há filosofia portuguesa. Quanto a nós, o Padre Manuel Antunes manteve viva a interrogação, como se pode depreender pelo título e conteúdo da obra Repensar Portugal. Eis o que pretendemos demonstrar.
(...)
Elísio Gala
Segredo. Eis, seguramente, a tónica d’A Noz, um escrito da autoria de António Carlos Carvalho. Foi um dos primeiros textos que nos chegaram com destino aos Cadernos. E, de entre os que integram a nova publicação da Serra d’Ossa, será o primeiro a que iremos levantar a ponta do véu, através de um excerto. Por ele se evidenciam as marcas, profundíssimas, que a influência da tradição hebraica deixou na cultura portuguesa.A NOZ
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António Carlos Carvalho
Ibn 'Arabî. Deste grande místico do Islão e dos seus mestres portugueses nos fala Abdel Hayy na série Sábios portugueses das três tradições. Trata-se do blogue O lugar da Alma, que, desde Mértola, se propõe pensar Portugal a partir da sua tradição.
Montemor-O-Novo. Na Livraria Fonte de Letras, junto à Câmara Municipal, durante o ano de 2009. A organização é dos Cadernos de Filosofia Extravagante. O primeiro simpósio realiza-se já no próximo domingo, 1 de Março, pelas 15 horas. Nele serão apresentados três dos doze teoremas publicados pelo «57».
Fotografias. São de Tiago Sobral Cunha as que poderá encontrar no primeiro número dos Cadernos de Filosofia Extravagante. O motivo dominante serão as árvores. Como a filosofia, elas desdobram-se em ramos e crescem para a luz. E se, por vezes, o nevoeiro as envolve, é porque o mistério persiste.



TESE
A poesia essencial é o lirismo.____________
ANTÍTESE A poesia essencial é a didáctica.
Corolário:
Poemas edificantes de doutrinas políticas, morais e religiosas.
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SÍNTESE A poesia essencial é o drama e a epopeia.
Corolário:
Primado da poesia que ascende a uma concepção do mundo e do homem.
Bruno.
“Les milieux culturels de la ville de Porto préparent la célébration du premier centenaire de la naissance du philosophe José Pereira de Sampaio, qui aura lieu le 30 novembre 1957. Déjà dans la presse périodique on voit divers articles sur l’écrivain que signa ses livre du pseudonyme de Bruno, d’où la liaison Sampaio-Bruno. L’auteur de A Ideia de Deus (L’Idée de Dieu) appartient à la tendance caractéristique de la philosophie portugaise, c’est-à-dire, qu’il fut un libre penseur religieux, aussi éloigné du positivisme agnostique que du catholicisme orthodoxe, donc mis en dehors de l’enseignement des institutions publiques. Ni le Municipe de Porto, ni l’Université de Porto, ni l’État portugais n’ont encore prononcé une parole officielle d’hommage à celui qu’on appelle déjà le fondateur de la philosophie portugaise.
L’œuvre de Sampaio-Bruno mérite bien l’attention des étudiants français. Le philosophe a été émigré politique à Paris, et ses livres sont pleins d’aperçus sur la culture française. Sectateur des doctrines de Martinez de Pasquallys, de Claude de Saint-Martin et peut-être disciple de Joséphin Peladan, Sampaio-Bruno a réussi dans son originale conciliation de la libre pensée scientifique avec la profonde philosophie religieuse”.
Álvaro Ribeiro
(texto integral de “Portugal”, in Dispersos e Inéditos, II, INCM, 2004)
(clique sobre o nome dos autores para saber mais)
Alexandre Teixeira Mendes: Poética (e configurações) marrana(s)
António Carlos Carvalho: A noz
António Telmo: A identidade religiosa de Luís de Camões; Carta a Pedro Martins
Avelino de Sousa: Neve (sonho); Um galo a Asclépio; Livre interpretação do mito de Teseu e o Minotauro
Cynthia Guimarães Taveira: Coincidências
Elísio Gala: Repensar o problema da filosofia portuguesa
Isabel Xavier: Dois poemas
Luís Paixão: Os templos do pensamento português
Maria do Resgate Almadanim: Carta ao professor
Paulo Júlio Guerreiro dos Santos: Páginas de autobiografia espiritual
Pedro Martins: Uma heresia de Pascoaes
Pedro Paquim Ribeiro, sob o pseudónimo de Fuas Paquim: Para o preâmbulo de um estauto senatorial
Pedro Sinde: Harmonia abraâmica: o triplo anel ou a herança de Portugal
Rodrigo Sobral Cunha: Sê, para que tudo seja (o som abstracto)
O desenho da capa é da autoria de Carlos Aurélio.
O interior dos Cadernos tem ilustrações de Cynthia Guimarães Taveira e fotografia de Tiago Sobral Cunha.
Os Cadernos estão à venda nos seguintes locais:
CALDAS DA RAINHA
Livraria 107
LISBOA
Associação Agostinho da Silva; Galeria Matos Ferreira
MONTEMOR-O-NOVO
Livraria Fonte de Letras
PORTO
Clube Literário do Porto
SETÚBAL
Prima Folia; Livraria Culsete; Livraria Universo
O p.v.p. é de 10 euros.
Pedidos para: serradossa@aeiou.pt