(os textos assinados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores)

Leia aqui a homenagem da Fundação António Quadros a António Telmo.



sábado, 21 de fevereiro de 2009

TEOREMAS DO «57»: A ANTROPOLOGIA


TESE O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, tal como hoje existe, não comportando a queda a degradação do ser humano.
Corolário:
Nada depende do homem e a antropologia é o domínio da sujeição teocrática.
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ANTÍTESE O homem é o produto de uma transformação rectilínea
com origem no animal inferior.
Corolário:
Nada depende do homem e a antropologia é o domínio da sujeição biológica.
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SÍNTESE O homem é um ser em evolução cíclica a partir de várias quedas sucessivas, além da original.
Corolário:
A missão do homem é ajudar a evolução da natureza.

A PONTA DO VÉU, 1


Ilustrações. A um mês do lançamento dos Cadernos de Filosofia Extravagante, vai sendo tempo de levantarmos a ponta do véu que envolve o novo projecto da Serra d'Ossa. Começamos por mostrar uma das ilustrações que se encontram no interior do primeiro número dos Cadernos. São da autoria da pintora Cynthia Guimarães Taveira.
Cynthia Guimarães Taveira nasceu em Londres (Inglaterra) a 6 de Setembro de 1969. Frequentou a Escola Secundária António Arroio. Licenciou-se em Antropologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e tem a frequência do Mestrado em Estudos Interdisciplinares de Estudos Portugueses da Universidade Aberta. Conta com dez exposições efectuadas ao longo dos últimos três anos.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

UM NOVO BLOGUE











O lugar da Alma. Assim se intitula a página que, a partir de Mértola, Abdel Hayy dedica ao esoterismo das três religiões abraâmicas, que historicamente confluem na formação do nosso pensamento. Pensar Portugal a partir da sua tradição é o lema deste novo blogue, a que o leitor pode aceder em
http://lugardealma.blogspot.com/
Eis um projecto a seguir com muito interesse.

TEOREMAS DO «57»: A POESIA

TESE A poesia essencial é o lirismo.
Corolário:
Valorização de todas as formas culturais da subjectividade sem reflexão.

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ANTÍTESE A poesia essencial é a didáctica.
Corolário:
Poemas edificantes de doutrinas políticas, morais e religiosas.

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SÍNTESE A poesia essencial é o drama e a epopeia.
Corolário:
Primado da poesia que ascende a uma concepção do mundo e do homem.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

PALAVRAS QUE FAZEM VER, 2

Bruno. Les milieux culturels de la ville de Porto préparent la célébration du premier centenaire de la naissance du philosophe José Pereira de Sampaio, qui aura lieu le 30 novembre 1957. Déjà dans la presse périodique on voit divers articles sur l’écrivain que signa ses livre du pseudonyme de Bruno, d’où la liaison Sampaio-Bruno. L’auteur de A Ideia de Deus (L’Idée de Dieu) appartient à la tendance caractéristique de la philosophie portugaise, c’est-à-dire, qu’il fut un libre penseur religieux, aussi éloigné du positivisme agnostique que du catholicisme orthodoxe, donc mis en dehors de l’enseignement des institutions publiques. Ni le Municipe de Porto, ni l’Université de Porto, ni l’État portugais n’ont encore prononcé une parole officielle d’hommage à celui qu’on appelle déjà le fondateur de la philosophie portugaise.

L’œuvre de Sampaio-Bruno mérite bien l’attention des étudiants français. Le philosophe a été émigré politique à Paris, et ses livres sont pleins d’aperçus sur la culture française. Sectateur des doctrines de Martinez de Pasquallys, de Claude de Saint-Martin et peut-être disciple de Joséphin Peladan, Sampaio-Bruno a réussi dans son originale conciliation de la libre pensée scientifique avec la profonde philosophie religieuse.

Álvaro Ribeiro

(texto integral de “Portugal”, in Dispersos e Inéditos, II, INCM, 2004)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

TEOREMAS DO «57»: O ROMANCE


TESE O romance é a expressão da natureza decaída.
Corolário:
Obediência à regra de Stendahl de que o romance é um espelho que se transporta ao longo de um caminho.

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ANTÍTESE O romance é a expressão da sociedade.
Corolário:
Subordinação da literatura às doutrinas religiosas, políticas e morais.

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SÍNTESE O romance é a expressão do sobrenatural.
Corolário:
A literatura é um meio de conhecimento e de iniciação. Alargamento à literatura da regra teatral de Aristóteles: a arte é a imitação da Natureza; o conceito aristotélico de natureza é o que na filosofia portuguesa corresponde ao sobrenatural.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

PALAVRAS QUE FAZEM VER, 1

Livre-Pensador. "Livre-pensador é o homem capaz de pensar livremente os valores - o bom, o belo e o vero - e mais ainda aquilo que os unifica e afinal garante. O problema do infinito incita o livre-pensador a meditar heroicamente a difícil temática religiosa. Nisso está o mérito; nisso está a dificuldade; nisso está o perigo; porque o livre-pensador, ao contrário do positivista, avança por um domínio delimitado pelos escolásticos, mas acelera a evolução espiritual da Humanidade."

Álvaro Ribeiro

(in "Sampaio Bruno e a Verdade Oculta", Dispersos e Inéditos, II, INCM, 2004)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

OS TEOREMAS DO «57»

Simpósio. Os 12 TEOREMAS DO «57», de que, nos próximos dias, antecipando o simpósio de 1 de Março, aqui publicaremos os três primeiros, foram apresentados em Dezembro de 1957, num número duplo da revista (3-4), que tinha António Quadros como director. Acompanhava-os a nota que agora deixamos aos leitores:

“É nosso intuito, ao publicarmos estes teoremas, não só desfazer dúvidas acerca das doutrinas que propugnamos, como também impedir aquela falta de seriedade muito comum em certos ambientes portugueses, que atribui intenções e finalidades a quem, como nós, de alma aberta e espírito compreensivo, defende e afirma um pensamento que não se lhes adequa. Para maior clarificação do leitor, não nos limitamos a apresentar os nossos teoremas, expressos nas sínteses do «57», mas precedemo-los das teses e antíteses em que se opõe a dualidade dominante que divide os portugueses cultos do nosso tempo. Assim, o leitor compreenderá o que negamos (tese e antítese) e o que afirmamos (síntese), ou melhor, o que pretendemos transcender num movimento real a que damos o esquema vivo da dialéctica hegeliana. A publicação destes teoremas não é apenas o sumário de uma doutrina; todos os teoremas apresentados se fundamentam em artigos e ensaios publicados pelos seus redactores nos três primeiros números do «57». No conjunto dos teoremas, não deve o leitor procurar um bloco dogmático: entre alguns deles, se não se manifestam contradições, exprime-se uma diversidade que representa a liberdade singular de cada um. Princípio essencial para todos nós, é o de que só na variedade e na compreensão das diferenças, pode haver seriedade de pensamento e unidade de acção.”

TESTEMUNHO

O Canto do Sol. É o título da entrada que Miguel Conceição, no blogue Sabedoria Perene, dedica a'O Canto dos Seres, de Pedro Sinde.
[actualizado o blogue da Serra d’Ossa]

sábado, 14 de fevereiro de 2009

«57» NA INTERNET

57. A colecção deste órgão do Movimento de Cultura Portuguesa, cujos teoremas irão ser apresentados e debatidos, ao longo de 2009, num ciclo de simpósios promovido pelos Cadernos de Filosofia Extravagante, pode ser consultada, em suporte digital, através desta ligação ao sítio da Hemeroteca Municipal de Lisboa.

CICLO DE SIMPÓSIOS


12 TEOREMAS DO 57
Actualidade dos Teoremas do Movimento de Cultura Portuguesa
1 de Março de 2009, às 15:00
Apresentadores e teoremas:
António Telmo e o Romance
Isabel Xavier e a Poesia
Elísio Gala e a Antropologia

Teoremas do 57. Ao longo de 2009, os Cadernos de Filosofia Extravagante promovem em Montemor-O-Novo, na Livraria Fonte de Letras (sita na Rua das Flores, 10/12, junto à Câmara Municipal), um ciclo de quatro simpósios dedicados à apresentação e ao debate dos 12 Teoremas do «57», originalmente publicados em Dezembro de 1957, num número duplo (3-4) daquele órgão do Movimento de Cultura Portuguesa.

A ordem de apresentação e de ordenação dos teoremas é a seguinte:

I Simpósio – Antropologia / Poesia / Romance
II Simpósio – Filosofia da História / Universidade / Pátria
III Simpósio – Teatro / Artes Plásticas / Arquitectura
IV Simpósio – Indivíduo / Liberdade / Propriedade

Cada interlocutor convidado apresentará durante dez minutos um teorema.

Finda a apresentação iniciar-se-á o debate alargado a todos os convivas do simpósio.

A anteceder a realização de cada um dos simpósios, os teoremas respectivos serão publicados no blogue dos Cadernos.

DIA DE REIS

Celebração dos Reis. É uma tradição que já vem de longe na filosofia portuguesa, e cuja memória próxima remonta ao reatamento verificado em 2007. No mês que passou, essa tradição foi cumprida nas Caldas da Rainha, no dia 10, um sábado cheio de frio e de sol. Ao almoço, que antecedeu o encontro, os Cadernos foram o tema dominante da conversa.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

APRESENTAÇÃO

António Cândido Franco, escritor laureado e professor doutorado pela Universidade de Évora, durante a comemoração dos 150 anos de filosofia portuguesa, organizada e animada por Pedro Martins na Biblioteca Municipal de Sesimbra, declarou que esta, a filosofia portuguesa, se tornou objecto “de uma indiferença quase generalizada”, que “vive um descrédito largo, com juízos críticos em geral negativos e movimentos declarados de antipatia”. E exemplifica com o desprezo também generalizado de que são vítimas os dois principais mentores da filosofia portuguesa: “ninguém conhece Álvaro Ribeiro, ninguém lê uma linha de José Marinho”.

Perante tal sentença, e vinda de quem vem e de onde vem, pôs-se-nos o problema, a nós, os promotores dos 150 anos de filosofia portuguesa, de como não deixar morrer um movimento que julgávamos impor-se por si próprio, tal a sua duração e o valor dos que o mantiveram no decurso de século e meio. Nós os poucos que ainda a amamos começámos a pensar naquilo que deveríamos fazer para que não se extinguisse a chama que durante tantos anos ardeu sem queimar a sarça da indiferença geral. Decidimos então mudar-lhe o nome a essa nossa filosofia. Raciocinámos assim:

Há os capitalistas da literatura e há os pobres da literatura. Aqueles têm prémios que se dão uns aos outros, são propagandeados na televisão, vendem os seus livros aos milhares, aos milhões, têm todos os editores do mundo ao dispor e, mais importante do que isso tudo, são lidos e amados.

Os segundos não têm tudo o que têm os primeiros. São os pobres. Durante 150 anos falaram, falaram, escreveram, escreveram. Hoje ninguém os ouve, ninguém os lê. Desinteresse geral, indiferença, antipatia.

Imaginámos então vários substitutos da palavra portuguesa, porque vimos que nela e não na palavra filosofia é que estava o que devemos esconder e preservar. Ocorreram-nos expressões tais como: Cadernos de uma pobre filosofia; cadernos de uma filosofia esquecida; cadernos de uma filosofia extravagante.

Escolhemos a última. Extravagante. Exactamente, extravagante. Assim ficávamos fora do mundo que não nos queria. Nós, que conhecíamos bem Álvaro Ribeiro e sabíamos compreender bem mais do que uma linha de José Marinho, na qualidade de extravagantes poderíamos continuar a escrever sobre eles, a desenvolver e a aprofundar temas por eles sugeridos, temas que a ninguém já interessam, que a vaga do actual mundo varreu, ocupada como está toda a gente somente com não morrer à fome ou com fazer mais dinheiro.
A palavra extravagante pode ser entendida em várias acepções, conforme registam os dicionários, mas aquelas que melhor se adaptam ao nosso caso são as que a fazem sinónima de estroina ou de perdulário.
Todavia, como disse o poeta, “ter um livro para ler e não o fazer” é coisa deliciosa, assim também é delicioso discretear sobre temas, formular teses e contemplar teoremas que já não dizem nada a ninguém. Perder energias, gastá-las como um estroina do espírito, cogitámos nós, não é, num certo sentido, imitar o Filho Pródigo da parábola do Evangelho?
Eram dois irmãos. O mais novo abandonou a casa do Pai; andou vagueando pelo mundo, estroina e perdulário, mas sem perder no fundo do fundo de si a lembrança da sua superior origem. Um dia regressa e o Pai recebe-o festivamente, com cânticos e com danças. O irmão indignou-se, queixou-se ao Pai: “Então eu que nunca te deixei, que tenho trabalhado para ti e junto de ti terei de suportar que o meu irmão seja assim recebido, que em vez de ser castigado seja acarinhado?”
Algum dia o mundo de Deus há-de ser dos pobres e dos vagabundos. Extravagante é uma nobre palavra. É a única que podemos opor ao articulista. Isto no momento em que recebemos a notícia de que A Razão Animada de Álvaro Ribeiro apareceu nas livrarias reeditada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Um pobre esquecido, lembrado pelos ricos.